CARTA A UMA MÃE
Filha, Jesus nos abençoe.
Você me escreveu, dias atrás, pedindo intercessão em favor de seu filho, que é médico e está com um tumor na região frontal.
A sua carta, como tantas outras, muito me comoveu e, neste momento, estou me unindo em oração a você, rogando o amparo do Mais Alto, solicitando aos Espíritos que estão mais próximos da Providência Divina para que ajam em nome dessa mesma Providência na qual tanto confiamos e esperamos.
Todavia, sinceramente, eu não sei de um coração mais próximo de Deus que o coração de mãe! Portanto, acredito que as suas rogativas, desde muito, já terão ecoado nos Páramos Superiores e, por certo, estarão advogando a causa em que toda a sua esperança de mãe se resume neste instante de provação do filho amado, que, sendo ainda tão jovem, tem um futuro promissor pela frente.
Quem me dera, minha filha, que eu, na condição de desencarnado, possuísse o dom da cura! Nada me impediria de vencer a suposta distância existente entre o Plano Espiritual e o Físico, para simplesmente pousar a minha mão de pecador sobre a cabeça de seu filho e pedir a Nossa Senhora, que viu o próprio Filho expirar coroado de espinhos, que dele se compadeça.
Devo, no entanto, esclarecer a você que nós, os desencarnados, por vezes, podemos menos ainda que os nossos irmãos que mourejam no corpo carnal – é comum que nos vejamos às voltas com as consequências das mazelas que trazemos da Terra, ou, então, lidando com antigas feridas que não se nos cicatrizaram de todo.
Não acredite em quem lhe diga que, neste Outro Lado, nós tudo podemos, porque não é verdade. Ainda não somos detentores de suficiente capacidade espiritual para que o poder de Deus possa se manifestar por nosso intermédio, sem que disto não nos vangloriemos.
Você tem reparado o que, em geral, acontece aos médiuns de cura que, de quando a quando, despontam entre os homens como instrumentos da Bondade de Deus?! Quase todos eles, terminam de maneira melancólica a sua carreira, regressando ao Mundo Espiritual na condição de maiores enfermos do que os enfermos que renasceram para curar...
Portanto, conforme eu lhe disse, o que prometo é me unir a você nas preces de todos os dias e de todos os momentos – oraremos, sim, juntos pela cura de seu filho André Luiz! Rogaremos ao Senhor para que lhe conceda uma moratória, a fim de que ele, ao lado da esposa querida, realize o seu sonho de constituir família e possa, na condição de médico neurologista que é, prestar socorro a tantos desvalidos.
Porque, mais do que médiuns de cura, minha filha, nós estamos precisando é de médicos humanitários na Terra! E, afinal, o que é o médico, se não um médium de cura por excelência, que, não raro, renegando o juramento de Hipócrates, não revela a menor sensibilidade pelo sofrimento do próximo?!
Oraremos juntos pelo seu filho, reunindo as nossas lágrimas e as nossas esperanças, na expectativa de que, pelo menos, como você deseja, o tumor de que ele se vê acometido paralise a sua ação nefasta e não o inutilize para o trabalho.
Certa vez, ouvi alguém dizer que não mais existem milagres na Terra, porque não mais existem santos para fazê-los... Concordo, em parte. Porque de uma coisa eu sei: Deus também escuta as preces dos pecadores!...
Cordialmente,
INÁCIO FERREIRA
Uberaba – MG
Nenhum comentário:
Postar um comentário